Soja brasileira bate recorde, mas preço não acompanha o tamanho da safra

O Brasil deve colher uma safra histórica de soja na temporada 2025/26. Segundo o Rabobank, a produção brasileira pode chegar a 182 milhões de toneladas, cerca de 10 milhões de toneladas acima do ciclo anterior. O número confirma a força do produtor rural brasileiro, mas também revela uma contradição: nem sempre safra cheia significa bolso cheio.
Mesmo com volume recorde, os preços da soja seguem pressionados. Em junho, o mercado internacional sentiu o impacto do avanço do plantio nos Estados Unidos e das boas condições climáticas nas lavouras norte-americanas. Esse cenário aumentou a percepção de oferta global confortável e pressionou as cotações em Chicago.
No Brasil, o produtor ainda enfrenta outro desafio: a valorização do real e os prêmios mais fracos nos portos limitaram parte dos ganhos que poderiam vir do mercado externo. Ou seja, mesmo quando Chicago reage, nem sempre esse movimento chega com a mesma força ao preço recebido dentro da porteira.
Esse é um ponto central para entender o momento da soja. O produtor produziu bem, o Brasil segue competitivo no mundo, mas a margem ficou mais apertada. O recorde de produção aumenta a relevância do país no comércio global, mas também exige mais atenção na comercialização.
Agora, o mercado muda o foco. Depois da safra norte-americana, os olhos se voltam para a América do Sul e para os possíveis impactos climáticos na temporada 2026/27. O clima, mais uma vez, pode ser o fator que muda o jogo.
Para quem produz soja, o momento pede cautela. Travar preço, acompanhar câmbio, avaliar custos e não vender no impulso podem fazer diferença.
A safra é grande. Mas a decisão comercial precisa ser ainda maior.
