Etanol perde força com indefinição sobre E32

O mercado de etanol segue pressionado pela demora na decisão sobre o aumento da mistura obrigatória na gasolina. A expectativa pelo E32 criou esperança no setor, mas os adiamentos trouxeram insegurança para preços e usinas.
O setor sucroenergético começou julho com atenção voltada para uma decisão que ainda não veio: o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, conhecido como E32. O tema vinha sendo discutido pelo CNPE, mas sucessivos adiamentos mantiveram o mercado em compasso de espera.
A expectativa em torno do E32 é grande porque uma mistura maior pode ampliar a demanda por etanol, reduzir necessidade de importação de gasolina e dar sustentação ao setor. Antes dos adiamentos, o governo indicava que a medida poderia ajudar o Brasil a reduzir a dependência externa de combustíveis.
Enquanto a definição não acontece, o mercado sente o impacto. O briefing mostra o etanol na B3 em queda para julho e agosto, refletindo justamente a frustração com a falta de decisão.
Para as usinas, a indefinição atrapalha o planejamento do mix entre açúcar e etanol. Quando o açúcar está mais forte no mercado internacional e o etanol perde sustentação, a tendência é que parte das unidades priorize mais açúcar, quando possível.
Para o produtor e para toda a cadeia da cana, a mensagem é clara: o E32 pode mudar o jogo, mas enquanto não for aprovado, o mercado trabalha com cautela.
No etanol, o problema não é falta de potencial. É falta de decisão.
