Café dispara mais de 4% em Nova York e exportações brasileiras crescem 48,5%
Estoques certificados apertados, recuperação dos embarques e chegada gradual da nova safra mantêm volatilidade elevada no mercado mundial.

O mercado mundial de café atravessa mais uma semana de forte volatilidade, impulsionado por uma combinação de oferta física restrita, estoques baixos e recuperação dos embarques brasileiros.
Na terça-feira, 18, o arábica fechou em forte alta em Nova York. O contrato setembro/26 terminou a sessão a 363,40 centavos de dólar por libra-peso, com avanço de 18,30 pontos. O dezembro fechou a 332,45 centavos, alta de 14,55 pontos.
O movimento representou valorização superior a 4% para algumas referências do mercado internacional.
Nesta quarta-feira, parte desses ganhos começou a ser corrigida, reforçando o grau de volatilidade da commodity.
Exportações brasileiras aceleram
Enquanto os preços internacionais oscilam, novos dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram recuperação importante dos embarques brasileiros.
Até a segunda semana de agosto, as exportações de café verde aumentaram 48,5% em relação ao mesmo período de 2025.
A média diária chegou a 10,1 mil toneladas, enquanto o volume acumulado no período alcançou cerca de 101 mil toneladas.
O resultado acontece depois de dificuldades observadas anteriormente na disponibilização de café novo ao mercado.
Em julho, o Cecafé informou que o Brasil havia exportado 3,03 milhões de sacas, alta de 9,9% na comparação anual. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, no entanto, os embarques ainda apresentavam queda de 5,9%, totalizando aproximadamente 20,9 milhões de sacas.
Estoques continuam no radar
Outro elemento central são os estoques certificados disponíveis para entrega contra contratos negociados na ICE.
Em 18 de agosto, os estoques certificados de arábica em Nova York haviam recuado novamente, para a região de 229 mil sacas, um patamar considerado bastante apertado para o mercado.
Quanto menor esse estoque, maior tende a ser a sensibilidade das cotações a qualquer problema de oferta ou logística.
Mercado físico brasileiro também reagiu
As altas externas chegaram às principais regiões produtoras.
Na terça-feira, referências de café arábica tipo 6 bebida dura alcançavam aproximadamente R$ 1.928 por saca em Guaxupé, R$ 1.940 em Varginha e R$ 1.950 em Machado, dependendo do padrão comercial e da cooperativa utilizada como referência.
Isso não significa, porém, que todos os produtores estejam recebendo os mesmos valores.
Qualidade, bebida, peneira, região, diferenciais comerciais e contratos antecipados modificam significativamente o preço final.
O que acompanhar daqui para frente
Três fatores deverão continuar influenciando as cotações.
O primeiro é a velocidade com que a nova safra brasileira chegará efetivamente ao mercado.
O segundo é a evolução dos estoques certificados.
E o terceiro é o comportamento da demanda internacional diante dos preços elevados.
Com o Brasil ocupando uma posição central no abastecimento mundial, qualquer mudança importante na disponibilidade nacional rapidamente repercute nas bolsas internacionais.
Em um mercado com estoques apertados, o café não precisa de uma grande quebra para reagir. Basta surgir dúvida suficiente sobre quanto produto estará disponível e quando ele chegará aos compradores.
Fontes: Secex, Cecafé, ICE, B3 e referências de mercado.






