Soja volta a superar US$ 12 em Chicago enquanto Crop Tour encontra problemas nas lavouras dos EUA
Calor, excesso de umidade e áreas inundadas aumentam as dúvidas sobre a produtividade americana justamente em uma fase decisiva da safra.

Os olhos do mercado mundial de grãos estão voltados nesta semana para estradas, lavouras e pequenas cidades do Meio-Oeste americano.
O motivo é o Pro Farmer Crop Tour 2026, levantamento de campo realizado entre 17 e 20 de agosto nos principais estados produtores de milho e soja dos Estados Unidos.
Mais de 100 profissionais participam da avaliação de mais de 2 mil lavouras distribuídas por sete estados. As áreas percorridas representam aproximadamente 70% da produção americana de soja e milho.
E os primeiros resultados ajudaram a trazer volatilidade de volta à Bolsa de Chicago.
Por volta das 11h08 desta quarta-feira, 19, o contrato de soja com vencimento em novembro de 2026 estava próximo de US$ 12,34 por bushel, com ganho de 17,25 pontos. Janeiro de 2027 operava em aproximadamente US$ 12,48.
O que o Crop Tour está encontrando
O primeiro dia de avaliações encontrou sinais de estresse térmico em Dakota do Sul e excesso de umidade em Ohio.
Segundo o próprio Pro Farmer, tanto as estimativas de produtividade do milho quanto as contagens de vagens de soja realizadas nesses estados ficaram abaixo do levantamento realizado no ano anterior.
O tour continua nesta quarta-feira por Illinois e oeste de Iowa, duas regiões centrais para determinar o tamanho final da produção norte-americana.
A importância desse levantamento está justamente na metodologia.
As equipes não escolhem previamente as lavouras que serão avaliadas. Os profissionais percorrem rotas padronizadas e fazem amostragens periódicas, permitindo comparações históricas entre os mesmos corredores produtivos.
O resultado final do Pro Farmer deverá ser divulgado na sexta-feira, 21 de agosto.
Por que os Estados Unidos mexem tanto com o preço brasileiro?
Brasil e Estados Unidos disputam espaço no mercado mundial de soja, principalmente no abastecimento da China.
Por isso, qualquer redução relevante da produção americana pode alterar o balanço global de oferta e demanda e aumentar a necessidade de soja sul-americana.
Nas duas primeiras semanas de agosto, o Brasil já apresentava bom ritmo de vendas externas.
A média diária dos embarques brasileiros chegou a 468,9 mil toneladas, aumento de 5,6% sobre agosto do ano passado. O país havia exportado aproximadamente 4,69 milhões de toneladas no acumulado parcial do mês.
Isso coloca o produtor brasileiro em uma posição interessante: o país possui grande disponibilidade de soja e, ao mesmo tempo, acompanha um mercado internacional que voltou a incorporar prêmio de risco climático.
Ainda não significa quebra de safra
É preciso cautela.
A presença de lavouras ruins ao longo do Crop Tour não significa automaticamente que a safra americana será pequena.
Há também regiões com bom potencial, e os resultados precisam ser analisados no conjunto das áreas amostradas.
Ainda assim, agosto é decisivo para a soja americana. É justamente nesta fase que o enchimento dos grãos e o número de vagens ajudam a determinar quanto da produtividade projetada realmente será alcançada.
Por isso, cada nova informação poderá provocar movimentos importantes em Chicago nos próximos dias.
Para o produtor brasileiro, a mensagem é clara: o preço da soja voltou a depender não apenas do que acontece dentro da porteira, mas também do que os avaliadores estão encontrando milhares de quilômetros ao norte.
Fontes principais: Pro Farmer Crop Tour, dados de mercado CME e Secex.






