Os impactos econômicos das verminoses no período de engorda

O parasitismo gastrintestinal representa um dos principais fatores limitantes da eficiência produtiva na pecuária de corte intensiva. Diferentemente das infecções clínicas, as verminoses subclínicas atuam de forma silenciosa e persistente, comprometendo o desempenho animal por meio de lesões na mucosa gastrintestinal, redução da digestibilidade e da absorção de nutrientes, além do aumento da resposta inflamatória e do gasto energético do organismo. Como consequência, ocorre piora da eficiência alimentar, exigindo maior consumo de matéria seca para produzir o mesmo ganho de peso.
Nos sistemas de confinamento, em que a alimentação representa a maior parcela dos custos operacionais, a presença de elevada carga parasitária na entrada dos animais reduz o retorno do investimento nutricional. Parte dos nutrientes ingeridos passa a ser direcionada para a resposta imunológica e para a reparação dos tecidos lesionados pelos parasitas, reduzindo a eficiência de conversão alimentar, prolongando o período de permanência no cocho e aumentando o custo por arroba produzida.
Por esse motivo, o protocolo sanitário de recepção deve contemplar a desparasitação estratégica dos animais, associada à avaliação do histórico sanitário da propriedade de origem e ao monitoramento da eficácia dos tratamentos. A utilização de endectocidas com eficácia comprovada frente aos principais helmintos presentes no rebanho reduz significativamente a carga parasitária e, dependendo da molécula empregada, também contribui para o controle de ectoparasitas, favorecendo melhores índices produtivos ao longo do período de engorda.
Segundo especialistas em parasitologia veterinária, a escolha criteriosa da molécula antiparasitária, a administração da dose correta com base no peso vivo dos animais e o monitoramento da eficácia dos tratamentos são medidas fundamentais para reduzir a pressão de seleção de parasitas resistentes e preservar a eficiência dos programas de controle. Quando associado ao manejo nutricional e sanitário adequado, o controle estratégico das verminoses melhora a eficiência alimentar, potencializa o ganho de peso, favorece a produção de carcaças e contribui para maior rentabilidade dos sistemas de produção.
*João Cortes é médico-veterinário e especialista em confinamentos na Biogénesis Bagó






