A única polícia do Brasil que patrulha montada em búfalos: por que o Marajó trocou o cavalo pelo bubalino
Desde 1992, o 8º Batalhão da Polícia Militar do Pará, em Soure, usa búfalos em rondas urbanas e rurais. O animal atravessa áreas alagadas onde viaturas e cavalos não chegam e virou símbolo da corporação

Em Soure, considerada a capital do arquipélago do Marajó, no Pará, não é raro ver policiais militares fazendo a ronda sentados no lombo de um búfalo. A cena, que surpreende turistas, faz parte da rotina do 8º Batalhão da Polícia Militar desde 1992. Segundo o Governo do Pará, é a única unidade policial do país que usa búfalos em patrulhamento e policiamento ostensivo, de acordo com reportagem do Click Petróleo e Gás.
Por que o búfalo
A escolha tem razões práticas. O Marajó é extenso, recortado por rios e com grandes áreas de mangue. Os búfalos, com cerca de 590 quilos, têm mais tração que os cavalos e se deslocam por terrenos alagados onde viaturas não conseguem avançar, segundo a Gazeta do Povo. O capitão Mario Nascimento Marques, do 8º BPM, chegou a comparar os animais a tanques de guerra no policiamento de algumas áreas rurais.
O animal também se adapta melhor à água. Diferentemente dos equinos, os búfalos não correm risco ao mergulhar as orelhas durante a travessia de rios e alagados, segundo o batalhão.
Treino desde cedo
Nem todo búfalo vira policial. O treinamento começa quando o animal tem entre um ano e um ano e meio, para que se acostume ao convívio humano e aos comandos, e só os que apresentam bom desempenho na fase adulta passam a atuar nas ruas. Segundo os policiais, são necessários cerca de um ano de trabalho constante para amansar o animal a ponto de ser montado. Atualmente, sete búfalos fazem parte do policiamento ostensivo, de acordo com a Gazeta do Povo.
O sargento Manoel Vitelli Júnior, um dos precursores da modalidade, afirmou ter 26 anos de policiamento montado em búfalos e se orgulhar do reconhecimento internacional que a tropa ganhou, segundo o CompreRural.
O símbolo da ilha
A ligação entre a polícia e o animal é tão forte que o brasão do 8º Batalhão exibe um búfalo em posição de destaque. Na sede, uma placa feita de cartuchos de bala mostra um búfalo musculoso carregando uma espingarda, segundo o jornal Estado de Minas.
O búfalo está presente em quase tudo no Marajó: na culinária, no couro, nas festas e no queijo do Marajó, um dos queijos de búfala mais tradicionais do país. A história conta que a criação ganhou força depois que o fazendeiro Vicente Chermont de Miranda, de Soure, trouxe animais da Itália, segundo o Correio Braziliense. Hoje, o arquipélago tem o maior rebanho bubalino do Brasil.
Polícia e turismo
Além de ajudar na segurança de Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari e Santa Cruz do Arari, municípios atendidos pelo batalhão, a patrulha virou atração turística e aproximou a população da polícia, segundo a corporação. Os búfalos patrulheiros também desfilam em datas cívicas, como o 7 de Setembro. O caso mostra como um animal de produção pode ganhar funções inesperadas quando a solução nasce da realidade local.





