De 13 vacas emprestadas e ordenhadas à mão a 12 milhões de litros de leite por ano: a trajetória do produtor argentino Damián Visconti
Na bacia leiteira de Córdoba, o produtor começou em um sistema de arrendamento, sem rebanho próprio. Hoje, com o irmão, comanda três unidades com picos de 40 mil litros por dia e uma indústria com marca própria

Damián Visconti não começou com terra nem com rebanho próprio. Começou com 13 vacas emprestadas, em um sistema de arrendamento, na região de Oliva e Villa María, na província de Córdoba, principal bacia leiteira da Argentina. Durante um ano e meio, ordenhou os animais à mão, segundo relatos publicados pela imprensa argentina e brasileira. Hoje, a operação produz cerca de 12 milhões de litros de leite por ano, de acordo com entrevista concedida pelo produtor à rádio Cadena 3, em fevereiro de 2026.
Do balde ao tambo de escala
O início foi marcado pelo trabalho braçal. Sem ordenhadeira e sem capital, o produtor dependia da própria mão de obra para tirar o leite das vacas emprestadas. Com o tempo, ele e o irmão, Luciano, foram ampliando o negócio, reinvestindo o resultado e incorporando tecnologia, segundo o portal Terra Brasil Notícias.
Atualmente, os irmãos administram três unidades produtivas, os chamados tambos, como os argentinos chamam as fazendas leiteiras, que atingem picos de 40 mil litros por dia, de acordo com o CompreRural. O avanço veio acompanhado de investimentos em genética e nutrição de precisão, apontados como pilares do aumento de produtividade.
A indústria própria
Um passo decisivo foi sair da condição de apenas fornecedor de leite cru. Visconti investiu em uma planta industrial própria e passou a processar e vender produtos com marca própria, estratégia que, segundo o CompreRural, trouxe ganhos significativos de rentabilidade. Ao agregar valor ao leite, o produtor deixa de depender exclusivamente do preço pago pela indústria, uma das principais queixas de quem vive da atividade.
As lições que ele repete
Na entrevista à Cadena 3, o produtor destacou alguns princípios: perseverança, cercar-se de boas pessoas e de assessores confiáveis, aprender a delegar quando a escala exige e manter o foco mesmo diante de dúvidas, crises econômicas, mudanças políticas e problemas climáticos. Em um país marcado por inflação alta e mudanças frequentes de política econômica, a lista diz muito sobre o que significa sobreviver no campo.
O contexto da lechería argentina
A trajetória chama a atenção porque o setor leiteiro argentino passou por anos difíceis, com fechamento de tambos e remates de rebanhos em Córdoba, segundo a imprensa especializada do país. Crescer nesse ambiente exigiu escala, eficiência e agregação de valor, a mesma combinação que produtores brasileiros de leite discutem diante de margens apertadas.
O que serve para o produtor brasileiro
A história não é uma receita, e cada mercado tem suas particularidades. Mas três pontos se aplicam a qualquer propriedade leiteira: começar com o que se tem, mesmo que seja arrendado; reinvestir em produtividade antes de ampliar o rebanho; e buscar formas de capturar mais valor do litro produzido, seja por indústria própria, cooperativa ou venda direta. De 13 vacas emprestadas a 40 mil litros por dia, o caminho de Visconti mostra que gestão pode valer mais do que capital inicial.





