Soja passa de 101 milhões de toneladas exportadas até setembro e Anec projeta 114 milhões em 2026
Embarques seguem em ritmo forte, com a China absorvendo 70% do volume, mas o real valorizado pressiona o preço pago ao produtor nos portos e no interior

A soja brasileira caminha para mais um ano histórico no comércio exterior. De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o país embarcou cerca de 101,4 milhões de toneladas do grão entre janeiro e setembro de 2026, contra 95,1 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, uma alta de aproximadamente 6,6%. A entidade projeta que as exportações cheguem a 114 milhões de toneladas até o fim do ano.
Setembro forte, outubro mais moderado
Pelos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 7,36 milhões de toneladas de soja em grão em setembro. O volume ficou 25% abaixo de agosto, uma queda considerada normal para o período, já que a janela de maior escoamento da safra vai se encerrando, mas representa um recorde para meses de setembro, segundo o Cepea.
A Anec, que usa metodologia própria baseada na programação de navios, apurou 7,11 milhões de toneladas no mês, pouco acima das 6,97 milhões de setembro de 2025. Para outubro, a programação da entidade indica 6,18 milhões de toneladas, abaixo das 6,40 milhões de outubro do ano passado.
O farelo também se destacou. Segundo a Secex, as exportações do derivado em setembro cresceram 10% sobre agosto e 18,5% sobre setembro de 2025, recorde para o mês. A Anec registrou 1,94 milhão de toneladas de farelo embarcadas em setembro e prevê 2,09 milhões em outubro.
China segue no centro
A dependência do mercado chinês continua elevada. Segundo a Anec, a China recebeu 70% da soja exportada pelo Brasil entre janeiro e setembro. A Espanha aparece em seguida, com 4%. No farelo, o principal destino no acumulado do ano foi a Indonésia, com 17%.
No milho, o quadro é diferente. As exportações do cereal somaram 5,31 milhões de toneladas em setembro, contra 6,98 milhões um ano antes, queda de cerca de 24%, segundo a Anec.
Volume recorde, preço em queda
Se os embarques vão bem, os preços internos não acompanham. O Cepea aponta que a valorização do real frente ao dólar tem pressionado as cotações da soja no Brasil, embora as exportações recordes limitem as quedas. Com um real mais forte, cada dólar recebido pela exportação vale menos em reais, o que se reflete no preço pago ao produtor.
Em 9 de outubro, o Indicador da Soja Cepea/Esalq Paranaguá estava em R$ 154,75 por saca de 60 kg. No interior de Mato Grosso, a saca disponível foi cotada a R$ 137,70 em Sorriso e R$ 145,10 em Rondonópolis, segundo o Imea, conforme dados compilados pelo Notícias Agrícolas. O dólar fechou o mesmo dia a R$ 4,985.
Em Chicago, o cenário também é de oferta confortável. O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 9 de outubro, elevou a produção americana de soja para 124,15 milhões de toneladas e os estoques finais para 8,57 milhões de toneladas, acima do esperado pelo mercado, segundo a CNN Brasil. O órgão manteve a estimativa para a safra brasileira em 186 milhões de toneladas. Na manhã desta terça-feira (13), o contrato de novembro recuava 5,25 centavos, para US$ 12,82 por bushel.
O que o produtor deve observar
O quadro combina demanda externa firme com preço interno pressionado pelo câmbio e por uma oferta mundial ampla. Para o sojicultor, alguns pontos merecem acompanhamento:
Câmbio: o comportamento do dólar até o segundo turno das eleições pode mexer mais no preço da saca do que a própria bolsa de Chicago;
Prêmios nos portos: com a China concentrando as compras, o prêmio pago pela soja brasileira é termômetro importante da competitividade frente ao produto americano, que chega ao mercado com a colheita;
Safra 2026/27: o avanço do plantio no Brasil tende a ganhar peso na formação de preços nos próximos meses.
Com 114 milhões de toneladas no horizonte, 2026 deve consolidar o Brasil como o maior exportador mundial de soja com folga. O desafio do produtor é transformar esse volume em renda, em um ambiente de câmbio e preços internacionais menos favoráveis.






