Brasil encosta nos EUA e fica a cerca de US$ 2 bilhões da vice-liderança mundial nas exportações agrícolas
Exportações brasileiras do agronegócio atingiram recorde de US$ 169,2 bilhões em 2025, enquanto os Estados Unidos venderam US$ 171,5 bilhões; primeiro semestre de 2026 mantém disputa apertada, mas ultrapassagem ainda não aconteceu.

Em 2021, a diferença parecia enorme.
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente US$ 177 bilhões em produtos agrícolas, enquanto o agronegócio brasileiro terminou aquele ano com US$ 120,59 bilhões em vendas externas.
Eram mais de US$ 56 bilhões separando os dois países.
Quatro anos depois, a distância nominal havia praticamente desaparecido.
Em 2025, o Brasil chegou a US$ 169,2 bilhões.
Os Estados Unidos ficaram em aproximadamente US$ 171,5 bilhões.
Brasil bateu recorde em 2025
Os US$ 169,2 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro representaram crescimento de 3% sobre 2024 e corresponderam a 48,5% de tudo o que o país vendeu ao exterior.
A soja em grãos permaneceu como principal produto, com US$ 43,5 bilhões.
A carne bovina atingiu recorde de US$ 17,9 bilhões, alta de 39,9%.
O café também ganhou força e gerou cerca de US$ 16 bilhões em receitas externas.
No lado norte-americano, o cenário foi diferente.
As exportações agrícolas dos EUA recuaram para aproximadamente US$ 171 bilhões em 2025, depois de terem alcançado seu pico em 2022.
O USDA atribuiu a queda a fatores como preços internacionais menores para algumas commodities, dólar forte e mudanças na demanda, especialmente por soja.
China ajuda a explicar parte dessa aproximação
Brasil e Estados Unidos competem diretamente em algumas das maiores commodities agrícolas do planeta.
A soja é o exemplo mais evidente.
Em 2025, a China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, respondendo por 32,7% das exportações do setor.
Nos Estados Unidos aconteceu o movimento contrário.
As exportações agrícolas norte-americanas para a China despencaram 66% em 2025, para US$ 8,4 bilhões, segundo o USDA. O órgão relaciona a queda às tarifas recíprocas e à menor demanda chinesa por soja norte-americana.
Isso não significa que todo produto que deixou de ser comprado dos Estados Unidos migrou automaticamente para o Brasil.
Mas a perda de espaço norte-americana na China ocorreu justamente enquanto o país asiático ampliava as compras brasileiras.
2026 começou forte para o Brasil
Nos primeiros seis meses de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 87,09 bilhões, crescimento de 6,2% sobre o mesmo período de 2025.
O complexo soja sozinho respondeu por US$ 34,93 bilhões.
As carnes somaram US$ 17,62 bilhões, enquanto produtos florestais chegaram a US$ 8,17 bilhões.
A China permaneceu como principal cliente, com US$ 30,54 bilhões, equivalentes a 35,1% das exportações brasileiras do agro no semestre.
Carne bovina viveu semestre histórico
Um dos motores de crescimento foi a proteína animal.
De janeiro a junho, o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina, com receita de US$ 9,85 bilhões.
O faturamento cresceu 36,2% sobre o primeiro semestre de 2025.
A China respondeu por US$ 4,87 bilhões dessas compras, enquanto os Estados Unidos apareceram em segundo lugar, com US$ 1,35 bilhão.
Ou seja, além de disputar mercados agrícolas com os americanos, o Brasil também vende volumes cada vez maiores de alimentos para o próprio mercado norte-americano.
Mas o Brasil já ultrapassou os EUA em 2026?
Ainda não.
Os dados mensais do USDA atualizados em agosto indicam que as exportações agrícolas norte-americanas somaram aproximadamente US$ 91,8 bilhões entre janeiro e junho de 2026, cálculo feito a partir dos seis meses publicados pelo Economic Research Service.
No mesmo período, o agronegócio brasileiro chegou a US$ 87,09 bilhões. A diferença nominal, portanto, estava próxima de US$ 4,8 bilhões a favor dos Estados Unidos. O banco de dados norte-americano é atualizado mensalmente pelo USDA.
Isso mostra por que a manchete de que o Brasil está “a US$ 2 bilhões de ultrapassar os EUA” precisa de contexto.
Os US$ 2 bilhões são uma fotografia aproximada de 2025.
A disputa de 2026 ainda está acontecendo.
E existe outro detalhe: a União Europeia
Também é incorreto afirmar, sem ressalvas, que Brasil e Estados Unidos disputam simplesmente o título de “maior exportador agrícola do mundo”.
Quando a União Europeia é considerada como bloco, ela ocupa a primeira posição mundial.
O ranking do USDA para 2025 coloca:
1º União Europeia
2º Estados Unidos
3º Brasil
4º China
5º Canadá.
Portanto, se a comparação for apenas entre países individualmente, os Estados Unidos aparecem à frente do Brasil.
Se a União Europeia entrar como bloco econômico, ela continua acima dos dois.
O Brasil está realmente perto da ultrapassagem?
Sim, mas a ultrapassagem não é inevitável.
Em 2021, a diferença entre os números nacionais de exportação era superior a US$ 56 bilhões.
Em 2025, caiu para pouco mais de US$ 2 bilhões.
É uma mudança extraordinária em apenas quatro anos.
O Brasil possui vantagens claras em soja, carne bovina, açúcar, café, algodão e outras cadeias.
Os Estados Unidos, por outro lado, possuem uma pauta extremamente diversificada, com milho, soja, lácteos, carne bovina, frutas, castanhas, produtos processados e alimentos de maior valor agregado.
Taxas de câmbio, preços das commodities, safras, barreiras comerciais e decisões de China, México, Canadá e União Europeia podem alterar rapidamente essa disputa.
A distância diminuiu. A liderança ainda precisa ser conquistada
O dado mais importante não é simplesmente quem terminará 2026 na frente.
É a trajetória.
O Brasil saiu de uma distância superior a US$ 56 bilhões em 2021 para praticamente empatar com os Estados Unidos quatro anos depois.
E fez isso apoiado principalmente em um crescimento extraordinário da capacidade de produzir e exportar soja, proteínas animais e outras commodities.
O Brasil ainda não ultrapassou os Estados Unidos. Mas deixou de observar a liderança à distância e passou a disputar posição praticamente lado a lado com a maior potência agrícola individual do comércio mundial.
Fontes principais: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa/Agrostat), USDA Economic Research Service, USDA Foreign Agricultural Service, Instituto de Economia Agrícola e ABIEC.






