Bezerro bate R$ 3.530 em MS, mas boi a R$ 389 reduz a conta para 9,07 arrobas: a reposição ficou mais barata?
Relação de troca cai desde setembro com a arroba em recorde; em Mato Grosso, um boi já compra 2,09 bezerros e o abate de fêmeas recua

O bezerro nunca foi tão caro em valores nominais em Mato Grosso do Sul. Na quinta-feira (29), o Indicador do Bezerro Cepea/Esalq-B3 no estado fechou em R$ 3.530,19 por cabeça. Em 20 de outubro, o indicador já havia passado de R$ 3.500 pela primeira vez na série nominal, a R$ 3.501,39, com alta de 19,6% em 12 meses, segundo levantamento da Terra Agro Insights com base no Cepea.
Mesmo assim, repor o rebanho ficou relativamente mais barato. O motivo é que o boi gordo sobe mais rápido. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq-B3 em São Paulo fechou a quinta-feira em R$ 389,20 por arroba. Pela conta simples entre os dois indicadores, o pecuarista precisa hoje de cerca de 9,07 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro em MS.
A relação de troca vem caindo desde setembro
Em 30 de setembro, a mesma relação era de 9,46 arrobas, segundo o Farmnews, com dados do Cepea. Em 5 de outubro, caiu para 9,28, o menor patamar desde a primeira metade de abril. Nesse intervalo, o boi subiu 2,4%, de R$ 364,30 para R$ 373,00, enquanto o bezerro avançou apenas 0,4%.
O cálculo atual, de 9,07 arrobas, ainda está acima da média histórica de outubro. Entre 2010 e 2026, a relação média nos meses de outubro foi de 8,30 arrobas por bezerro, com mínima de 7,15 em 2010 e máxima de 10,27 em 2021, de acordo com o Farmnews.
Em São Paulo, a Terra Agro Insights calculou 8,83 arrobas por bezerro em 19 de outubro, ante 9,08 em 28 de setembro, perto da média de dez anos, de 8,62. Em Mato Grosso do Sul, a relação estava em 9,20 arrobas, abaixo da média de 2026, de 9,6.
Em Mato Grosso, o boi compra mais bezerros
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou o bezerro de 210 kg a R$ 3.525,86 por cabeça na semana de 12 a 16 de outubro. Um boi de 21 arrobas comprava 2,09 bezerros, ante 2,04 no fim de setembro.
O dado mais revelador, porém, vem do abate. Segundo o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), as fêmeas representaram 40% dos bovinos abatidos no estado em setembro, contra quase 50% em maio. Menos vacas no gancho significa mais matrizes no pasto, um sinal típico de retenção, quando o pecuarista volta a apostar na cria porque o bezerro paga melhor.
O mercado futuro confirma a arroba firme
A B3 reforça a leitura de que a arroba deve seguir alta nos próximos meses. Na quinta-feira, o contrato de novembro fechou a R$ 405,00, o de dezembro a R$ 403,00 e o de janeiro de 2027 a R$ 400,45 por arroba. No físico, houve negócios pontuais a R$ 400 em Lucélia e Mococa (SP), segundo a plataforma Agrobrazil, e as escalas de abate recuaram para a média de 6,51 dias úteis.
Para o recriador e o invernista, isso significa que comprar o bezerro agora, com a relação de troca melhorando, pode render margem se a arroba se mantiver nesses níveis na hora da venda. Para animais de padrão superior, a referência de mercado para o bezerro Nelore de 12 meses e 240 kg em São Paulo era de R$ 4.123,64 por cabeça, segundo as cotações de reposição divulgadas pelo Notícias Agrícolas.
O risco está do lado do consumo
O ponto fraco da equação é a carne. A indústria tem dificuldade para repassar integralmente a alta do boi ao varejo, e o consumo limita novas valorizações, segundo análise publicada pela Folha Agrícola nesta sexta-feira (30). O mercado espera melhora nas vendas no início de novembro, com a entrada dos salários.
Se a retenção de fêmeas se confirmar, a oferta de boi tende a ficar mais curta nos próximos ciclos, e o bezerro, mais disputado. A janela em que a arroba paga a reposição com folga pode não durar muito.






