Newcastle: 2º foco em SC e vírus em pombos complicam reabertura de mercados
Mapa confirma caso em granja de perus de Coronel Freitas, dentro da área de restrição; Cidasc associa a infecção a pombos de vida livre, achados com o vírus fora da zona de emergência.

Santa Catarina registrou o segundo foco da doença de Newcastle em aves comerciais em uma semana. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunicou na noite de domingo (25/10) a confirmação do vírus em uma granja de perus em Coronel Freitas, no Oeste do estado. O caso surgiu na vigilância intensificada dentro da área de restrição do primeiro foco, em Nova Itaberaba, confirmado em 18 de outubro. Segundo a Cidasc, o resultado laboratorial, obtido por sequenciamento genético, saiu entre sexta (23) e sábado (24). O Mapa informou que o despovoamento sanitário das aves já começou.
O dado que muda o quadro, porém, vem de fora das granjas. A vigilância encontrou o vírus em pombos de vida livre em Marema, município que fica fora da zona de emergência. As aves tinham sinais clínicos, e a Cidasc atribui o foco de Coronel Freitas à transmissão do vírus pelos pombos, segundo informações publicadas por ND Mais e Agrimídia.
Pombos não contam como foco, mas pesam na negociação
No comunicado de domingo, o Mapa confirmou a infecção por paramixovírus aviário tipo 1 dos pombos (PPMV-1) nas aves encontradas fora da área de emergência e ressaltou que, pelas definições da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), esses casos não configuram foco de Newcastle. A nota federal, segundo o Canal Rural e a CNN Brasil, afirma ainda que não há relação epidemiológica entre os pombos e os focos em aves comerciais, leitura diferente da associação feita pela Cidasc. Os textos divulgados até agora não explicam a divergência.
A distinção tem peso comercial: sem classificar os pombos como foco, o Mapa evita ampliar formalmente a área afetada. Mas um vetor silvestre não para em barreira sanitária, e a circulação do vírus em aves de vida livre tende a entrar nas perguntas dos importadores quando o Brasil defende a regionalização, ou seja, o reconhecimento de que só uma parte do território está comprometida.
Vigilância: 15 granjas liberadas e 317 criações inspecionadas
Pelo balanço da Cidasc até sábado (24), o Centro de Operações de Emergência em Saúde Animal (Coezoo) concluiu a primeira rodada de vigilância na área de emergência. Foram monitoradas mais de 160 propriedades comerciais de frangos e perus e inspecionadas 317 criações de subsistência, com 78 amostras enviadas a laboratório. Quatro barreiras sanitárias, fixas e móveis, funcionam 24 horas por dia.
Há também notícias positivas: 15 granjas comerciais da região testaram negativo e tiveram as aves liberadas para abate, assim como o núcleo vizinho ao novo foco. A Cidasc ressalva que isso não encerra as restrições na região. Como mais de 70% da zona de vigilância do novo foco se sobrepõe à do primeiro, o Mapa fez apenas um pequeno ajuste na área de restrição. Em Nova Itaberaba, onde 6.526 perus foram eliminados, a limpeza e a desinfecção terminaram e a granja entrou em vazio sanitário. A Portaria Mapa nº 962/2026 mantém por 60 dias a emergência zoossanitária em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Cinco mercados fechados e um relógio que recomeça
Na atualização mais recente do Mapa citada pela Agrimídia, de 21 de outubro, Malásia e México suspenderam produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto China, Chile e Arábia Saudita limitaram as restrições a Santa Catarina. Não houve anúncio de reabertura.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lembrou, após o primeiro caso, que pelas regras da OMSA o país pode recuperar o status de livre da doença 90 dias depois, se não surgirem novos focos. Com a confirmação em Coronel Freitas, essa contagem passa a ter como referência o caso mais recente, o que empurra para mais adiante a perspectiva de normalização.
Dados da Secex compilados pela CNA mostram que Santa Catarina exportou 1,20 milhão de toneladas de carne de frango em 2025 (23,3% do total nacional) e 29,5 mil toneladas de carne de peru (44,8%), somando US$ 2,1 bilhões. O Cepea ainda não viu efeito sobre preços internos, segundo a Agrimídia. Já o Itaú BBA projeta que, se as restrições se prolongarem, parte da produção catarinense destinada ao exterior pode ir para o mercado doméstico no início de 2027, período de demanda mais fraca.
O que muda para o integrado
Com aves silvestres no centro da investigação, a proteção física do aviário ganha prioridade. A Cidasc orienta manter as telas em bom estado, controlar pragas, higienizar veículos, calçados e equipamentos e impedir qualquer contato entre pombos ou outras aves soltas e o plantel. A CNA acrescenta controle de acesso e roupas e calçados de uso exclusivo.
Na prática, vale revisar frestas em telas e cortinas e eliminar sobras de ração que atraiam pombos. Sinais respiratórios ou neurológicos e mortalidade alta e repentina devem ser comunicados imediatamente à Cidasc. Segundo o Mapa, a doença não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos de estabelecimentos inspecionados.






