Dólar5,42R$▲ 0.87%BCBMilho52,20R$/saca▼ 2.25%Semana 12/10–16/10 · PRCONABSoja135,60R$/saca▼ 0.44%Semana 12/10–16/10 · PRCONABCafé1.099,20R$/saca▼ 2.50%Atacado · ES · Semana 12/10–16/10CONABBoi Gordo360,30R$/arroba▼ 1.19%Semana 12/10–16/10 · SPCONABDólar5,42R$▲ 0.87%BCBMilho52,20R$/saca▼ 2.25%Semana 12/10–16/10 · PRCONABSoja135,60R$/saca▼ 0.44%Semana 12/10–16/10 · PRCONABCafé1.099,20R$/saca▼ 2.50%Atacado · ES · Semana 12/10–16/10CONABBoi Gordo360,30R$/arroba▼ 1.19%Semana 12/10–16/10 · SPCONAB
Exportação

Farelo de soja pode embarcar 45,9% mais em outubro: a indústria está ganhando a disputa pelo grão?

Anec projeta 2,52 milhões de toneladas de farelo no mês, contra 6,40 milhões de soja em grão estáveis. Abiove vê esmagamento e exportação de farelo em níveis recordes em 2026

AFRedação AgroForte·27 de outubro de 2026· 4 min de leitura
Compartilhar
Farelo de soja pode embarcar 45,9% mais em outubro: a indústria está ganhando a disputa pelo grão?

O Brasil deve embarcar 2,52 milhões de toneladas de farelo de soja em outubro de 2026, segundo projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) divulgada em 21 de outubro. No mesmo mês de 2025, foram 1,73 milhão de toneladas. A alta prevista é de 45,9%.

No mesmo período, a soja em grão anda de lado: a Anec projeta 6,40 milhões de toneladas para outubro, praticamente o mesmo volume de um ano antes (6,399 milhões). O derivado está crescendo muito mais rápido que a matéria-prima.

A aceleração da última semana

Os números semanais da Anec mostram que o ritmo apertou na reta final do mês. Na semana de 18 a 24 de outubro, a programação de embarques de farelo somou 699,1 mil toneladas, contra 410,4 mil na semana anterior, um salto de 70,4%. A associação alerta que se trata de programação de navios, não de exportação concluída, e que a semana ainda estava em andamento quando os dados foram divulgados.

O escoamento está concentrado em três portos. Santos (249,9 mil toneladas), Paranaguá (242,2 mil) e Rio Grande (180 mil) responderam por cerca de 96,1% do farelo programado na semana.

Por trás do número: a indústria esmagando mais

O farelo só cresce na exportação se a indústria esmaga mais soja. E é isso que a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) vem projetando ao longo do ano. Na revisão de agosto, a entidade estimou esmagamento recorde de 63,3 milhões de toneladas em 2026 e produção, também recorde, de 48,7 milhões de toneladas de farelo.

Com o consumo interno de farelo estimado em 21,4 milhões de toneladas, sobra mais produto para fora. A projeção de exportação da Abiove para 2026 é de 25,3 milhões de toneladas, recorde e 8,7% acima de 2025. Entre janeiro e junho, o esmagamento já somava 28,3 milhões de toneladas, alta de 7,7% sobre o mesmo período do ano anterior.

Os destinos também mostram diversificação. Segundo dados da Anec citados pela Forbes Agro, de janeiro a julho os maiores compradores foram Indonésia (18%), Tailândia (11%), Holanda (10%), França (10%), Espanha (7%), Polônia (6%) e Coreia do Sul (5%). Ao contrário da soja em grão, fortemente dependente da China, o farelo brasileiro tem clientela pulverizada entre Ásia e Europa.

O câmbio entra a favor

O dólar comercial fechou o dia 26 de outubro a R$ 5,403, alta de 8,21%, depois da confirmação da reeleição do presidente Lula. Para uma indústria que vende farelo em dólar e compra soja do produtor em reais, a desvalorização do real amplia a margem de exportação no curto prazo.

Ao mesmo tempo, a soja em Chicago caiu 1,21% no dia, segundo a Brownfield Ag News, com o contrato de novembro a US$ 12,41¼ por bushel. A Reuters, em texto reproduzido pela Forbes Agro, associou a queda à expectativa de que o Brasil venda mais com o real fraco. Para o esmagador, matéria-prima mais barata em dólar e produto final valorizado em reais formam uma combinação favorável.

O que isso muda para o produtor de soja

Mais esmagamento significa mais demanda doméstica pela soja em grão, e demanda que não depende do navio para a China. Indústrias que precisam manter a moagem alta disputam o grão disponível, o que ajuda a sustentar a base nas regiões com esmagadoras próximas.

O efeito apareceu no físico: o indicador Cepea da soja em Paranaguá subiu 2,06% em 26 de outubro, para R$ 155,55 a saca. No interior, porém, Sorriso (MT) recuou 0,15%, para R$ 133,20, segundo o Imea. A diferença de mais de R$ 22 por saca entre porto e interior lembra que logística e proximidade da indústria continuam definindo quem captura o ganho do câmbio.

Para quem ainda tem soja da safra passada, a pergunta da semana é simples: a esmagadora mais próxima está pagando mais que a trading? Em um mês de farelo recorde, vale fazer as duas cotações antes de fechar negócio.

Receba no WhatsApp às 6h

Cotações do dia e principais manchetes do agronegócio.

Assinar grátis →
Compartilhar

Conteúdos Relacionados

Carne bovina embarca 33,7% menos por dia em outubro e a arroba ainda chega a R$ 389,90: quem está sustentando o boi?Exportação

Carne bovina embarca 33,7% menos por dia em outubro e a arroba ainda chega a R$ 389,90: quem está sustentando o boi?

Até o 16º dia útil de outubro, o Brasil exportou 154,5 mil toneladas de carne bovina, com média diária 33,7% menor que a de um ano antes. Ainda assim, o indicador Cepea fechou o mês a R$ 389,90 por arroba.

Algodão fatura 27,8% mais por dia em outubro e a tonelada sobe 8,5%: o Brasil achou o preço que faltava na exportação?Exportação

Algodão fatura 27,8% mais por dia em outubro e a tonelada sobe 8,5%: o Brasil achou o preço que faltava na exportação?

Dados parciais da Secex mostram que o Brasil embarca mais algodão por dia e a um preço médio maior em outubro. Com o dólar em alta, a exportação paga melhor que o mercado doméstico, onde os negócios seguem lentos.

Café embarca 30% mais por dia em outubro, mas preço médio cai 15,6%: o Brasil está vendendo mais para ganhar menos?Exportação

Café embarca 30% mais por dia em outubro, mas preço médio cai 15,6%: o Brasil está vendendo mais para ganhar menos?

Nos primeiros 11 dias úteis de outubro, o Brasil exportou 151,5 mil toneladas de café não torrado, com média diária 30% maior que há um ano e preço médio 15,6% menor. A receita diária subiu só 9,7%, e o arábica voltou a cair em Nova York.

Nordeste estreia na China, mas cota de 1,128 milhão de t ameaça repetir o 'fim antecipado' em 2027Exportação

Nordeste estreia na China, mas cota de 1,128 milhão de t ameaça repetir o 'fim antecipado' em 2027

A primeira planta nordestina liberada para a China começou a exportar no momento em que o volume fora da cota paga 67% de tarifa. A Abiec espera que a cota de 2027 também se esgote antes de dezembro.

Newcastle em perus tira 14 plantas de SC da China e leva México e Malásia a barrar todo o Brasil: quanto tempo dura o bloqueio?Exportação

Newcastle em perus tira 14 plantas de SC da China e leva México e Malásia a barrar todo o Brasil: quanto tempo dura o bloqueio?

A China suspendeu apenas os 14 estabelecimentos catarinenses habilitados, de um total de 61 no país, mas México e Malásia fecharam o mercado para todo o frango brasileiro. Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações nacionais de carne de frango, segundo a ABPA.

Brasil precisa embarcar 17 milhões de toneladas de milho em três meses: Argentina e Irã vão deixar?Exportação

Brasil precisa embarcar 17 milhões de toneladas de milho em três meses: Argentina e Irã vão deixar?

Nos 11 primeiros dias úteis de outubro, o Brasil exportou 2,87 milhões de toneladas de milho, com média diária 11,8% menor que um ano antes. Para chegar a 38 milhões de toneladas no ciclo, analistas calculam cerca de 17 milhões até janeiro.