Algodão fatura 27,8% mais por dia em outubro e a tonelada sobe 8,5%: o Brasil achou o preço que faltava na exportação?
Receita chega a US$ 443,3 milhões em 16 dias úteis, segundo a Secex; dólar alto leva a paridade de exportação para cima do mercado interno

O algodão brasileiro está saindo mais rápido e mais caro dos portos em outubro. Nos primeiros 16 dias úteis do mês, as exportações renderam US$ 443,3 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Notícias Agrícolas. A média diária de faturamento chegou a US$ 27,7 milhões, alta de 27,8% sobre os US$ 21,7 milhões por dia de outubro de 2025.
O ganho vem de duas frentes ao mesmo tempo. O volume médio diário embarcado subiu 17,8%, de 13.360,4 para 15.735,6 toneladas. E o preço médio da tonelada exportada avançou 8,5%, de US$ 1.623 para US$ 1.760,70.
Mais volume e preço maior ao mesmo tempo
Não é comum ver as duas variáveis subindo juntas. Quando o Brasil acelera os embarques, o preço médio costuma ceder, porque o país passa a disputar compradores com mais oferta. Em outubro, a combinação favoreceu o exportador.
Os números ainda são parciais e comparam a média diária de 16 dias úteis com o mês fechado de 2025, que teve 22 dias úteis. Em outubro do ano passado, o faturamento total foi de US$ 477,1 milhões. Se o ritmo atual se mantiver até o fim do mês, o resultado de 2026 tende a superar esse valor, mas isso só será confirmado com o dado final da Secex, no início de novembro.
Nova York sobe, mas segue em patamar baixo
Na bolsa de Nova York, o algodão para dezembro subiu 0,35 centavo na quinta-feira (29), para 78,50 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,45%. O março/27 foi a 82,25 centavos e o maio/27, a 83,86 centavos. O Índice Cotlook A, referência do algodão físico no mercado internacional, marcou 89,70 centavos, com queda de 1 centavo.
A demanda pelo algodão americano também mostrou força. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou vendas de 216.488 fardos na semana encerrada em 22 de outubro, 8,45% acima da semana anterior e 63,07% acima do mesmo período de 2025. Os embarques americanos, porém, caíram 18,13% na semana, para 160.762 fardos.
O câmbio inverteu a conta
No mercado interno, o cenário é de pouca movimentação. Segundo o Cepea, as negociações de pluma seguem limitadas, em meio às incertezas políticas e econômicas e à prioridade dada ao cumprimento de contratos a termo já fechados. O grande volume negociado antecipadamente reduz a necessidade de compras no mercado à vista.
O dólar mudou a conta. Com a moeda americana a R$ 5,3875 no fechamento de quinta-feira, a paridade de exportação passou a superar as cotações domésticas, segundo o Cepea. O Indicador do Algodão em Pluma Cepea/Esalq fechou o dia em 412,15 centavos de real por libra-peso, alta de 0,20%. Em Sorriso (MT), a pluma era cotada a R$ 126,37 por arroba e, no Oeste da Bahia, a R$ 125,00, segundo o sindicato rural local e a Aiba.
O que fica para o cotonicultor
Para quem tem pluma disponível, a exportação voltou a ser a referência de preço. O cenário favorece produtores e tradings com contratos ligados ao mercado externo, enquanto a indústria têxtil nacional compra apenas o necessário.
O ponto de atenção é a volatilidade do câmbio. Parte do ganho em reais depende de um dólar que oscilou com força depois da eleição e que reage ao noticiário fiscal e ao Copom de novembro. Fixar parte das vendas enquanto a paridade está favorável pode proteger a margem de uma eventual valorização do real.






