156 sacas de soja por hectare, contra média nacional de 62: o que fazem os campeões de produtividade do Brasil?
Um produtor de Major Vieira (SC) bateu o recorde do desafio do Cesb e passou pela primeira vez das 150 sacas. A média de todas as áreas auditadas ficou em 97 sacas, e os dez primeiros superaram 120

A média de produtividade da soja no Brasil na safra 2025/26 ficou em torno de 62 sacas por hectare, segundo a Conab. Em uma lavoura de Major Vieira, no Planalto Norte de Santa Catarina, o produtor Lourival Ruthes colheu 156,13 sacas por hectare. O resultado lhe deu os títulos de campeão da região Sul na categoria sequeiro e de campeão nacional da 18ª edição do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), segundo a revista Mais Soja.
Primeira vez acima de 150 sacas
É o maior resultado já auditado em 18 anos de competição e a primeira vez que um participante ultrapassa 150 sacas por hectare. O recorde anterior, da safra passada, era de 135,49 sacas, segundo o portal Sou Agro. Na comparação com a média nacional da Conab, a produtividade foi 152% maior, de acordo com coluna publicada pelo Agrolink.
Há um detalhe importante para ler o número com justiça. Lourival cultivou 1.042 hectares de soja na safra, e a área auditada pelo concurso teve 2,56 hectares, como prevê o regulamento, que mede o desempenho de um talhão escolhido. O recorde, portanto, mostra o potencial máximo alcançado em condições de manejo de ponta, não a média da propriedade inteira.
Não foi um caso isolado
O desafio teve 5,3 mil inscrições, de produtores de mais de mil municípios em 18 estados, cobrindo 4,8 milhões de hectares, cerca de 10% da área de soja do país, segundo o Sou Agro. Nas 921 áreas auditadas, a produtividade média ficou em 97,25 sacas por hectare, e todos os dez primeiros colocados superaram 120 sacas, segundo a Mais Soja, patamar considerado fora do alcance prático há menos de uma década.
Os campeões regionais confirmam o desempenho em diferentes ambientes. No Nordeste, o grupo Gorgen venceu com 143,77 sacas. No Norte, a Fazenda Bela, em Goiatins (TO), chegou a 136,64 sacas, com retorno líquido de R$ 1,55 por real investido, segundo o Cesb. No Sudeste, a Agropecuária Três Irmãos alcançou 122,66 sacas. No Centro-Oeste, o campeão de sequeiro colheu mais de 118 sacas em Confresa (MT). Na categoria irrigada, a Fazenda Lago Bonito, em Mundo Novo (GO), registrou 138,97 sacas por hectare, recorde da modalidade.
O que os sistemas campeões têm em comum
Os relatos dos consultores apontam fatores parecidos. No caso do campeão do Centro-Oeste, o consultor Fabiano Müller destacou o diagnóstico preciso, o posicionamento correto das práticas de manejo, a relação entre solo e planta, o uso de plantas de cobertura e as boas condições climáticas, segundo a Mais Soja. O planejamento da safra com antecedência aparece como ponto comum entre os vencedores.
Em resumo, os campeões não dependem de um produto milagroso. Eles combinam genética adequada ao ambiente, solo bem construído ao longo de anos, manejo preciso e clima favorável. Por isso o Cesb diz buscar também um ganho coletivo: aumentar o número de produtores que conseguem produzir mais do que produziam, e não apenas premiar os primeiros colocados.
Por que isso importa agora
Com o plantio da safra 2026/27 em andamento, custos de produção em alta e o risco de um El Niño forte, produtividade virou a principal ferramenta para diluir custos. A distância entre a média nacional de 62 sacas e as 97 sacas das áreas auditadas mostra quanto ainda há para ganhar dentro da porteira, sem abrir um hectare a mais.






