Azeite da Serra da Mantiqueira vence entre 85 amostras e já figura entre os melhores do mundo: o Brasil virou terra de oliveira?
O Mantikir Summit Premium levou o primeiro lugar entre os blends do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026, e o Alto das Oliveiras, de Delfim Moreira (MG), venceu entre os monovarietais. A região produz azeite extravirgem desde 2008

Por muito tempo, azeite de qualidade no Brasil era sinônimo de produto importado de Portugal, Espanha ou Itália. Na Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, essa realidade começou a mudar. Em cerimônia realizada em Brasília em 15 de outubro, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciou os vencedores do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026, e os azeites da Mantiqueira dominaram a disputa.
Os vencedores
Na categoria blend, o primeiro lugar foi do azeite Mantikir Summit Premium. Segundo a CNA, o produtor Herbert Silva Sales foi o vencedor, com azeite cultivado na região da Serra da Mantiqueira, com referência a Santo Antônio do Pinhal (SP). Veículos mineiros associam o rótulo à Vinícola Essenza, com olival em Maria da Fé (MG), a mais de 1.800 metros de altitude, segundo a Itatiaia. Na categoria monovarietal, venceu o Alto das Oliveiras, produzido de forma orgânica em Delfim Moreira (MG), com a cultivar Grappolo 541, de acordo com o governo de Minas Gerais.
A edição recebeu 85 amostras de azeite, além de 170 de cachaças de alambique e 115 de doces de leite. Ao todo, 30 produtores de seis estados foram premiados, segundo a CNA. O prêmio, que chegou à 17ª edição de concursos, integra o Programa Nacional de Alimentos Artesanais e Tradicionais da entidade, voltado a pequenos e médios produtores.
Reconhecimento lá fora
O Mantikir já vinha colecionando medalhas internacionais. Em abril, conquistou duas medalhas de ouro no Concurso Internacional de Azeites de Oliva Virgem Extra (CINVE), na Espanha, segundo a Itatiaia. O Summit Premium também aparece pelo segundo ano consecutivo entre os 100 melhores azeites do mundo e como o melhor do Brasil no ranking espanhol Evooleum, de acordo com a Agência Minas. Outro rótulo da região, o Alto da Serra, produzido por agricultores familiares em Cristina (MG), levou medalha de ouro no Evo International Olive Oil Contest, na Itália, em sua primeira participação.
Como a Mantiqueira chegou lá
A olivicultura na região é recente. Maria da Fé, no Sul de Minas, foi onde se extraiu o primeiro azeite extravirgem do Brasil, em 2008, segundo a Itatiaia. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) teve papel central no desenvolvimento do cultivo, com pesquisa, orientação técnica e eventos como o Azeitech, realizado em Maria da Fé.
O clima de altitude, com inverno frio, ajuda a oliveira a florescer, mas a produção ainda enfrenta desafios. Verões com pouco sol dificultam o amadurecimento das azeitonas, e o manejo técnico no campo é decisivo para garantir a qualidade, segundo o produtor Herbert Sales à Itatiaia.
Nicho de alto valor
Os volumes ainda são pequenos. O Alto da Serra, por exemplo, produziu 304 litros de azeite extravirgem na safra de 2026, segundo o Diário do Comércio. Por isso, o azeite da Mantiqueira não compete em preço com o importado de supermercado. Compete em frescor, origem e qualidade, em um mercado disposto a pagar mais por um produto brasileiro premiado. Para o produtor da serra, a oliveira virou alternativa de renda em áreas de altitude, com potencial de agregar valor e atrair turismo rural.






