Dólar5,42R$▲ 0.87%BCBMilho52,20R$/saca▼ 2.25%Semana 12/10–16/10 · PRCONABSoja135,60R$/saca▼ 0.44%Semana 12/10–16/10 · PRCONABCafé1.099,20R$/saca▼ 2.50%Atacado · ES · Semana 12/10–16/10CONABBoi Gordo360,30R$/arroba▼ 1.19%Semana 12/10–16/10 · SPCONABDólar5,42R$▲ 0.87%BCBMilho52,20R$/saca▼ 2.25%Semana 12/10–16/10 · PRCONABSoja135,60R$/saca▼ 0.44%Semana 12/10–16/10 · PRCONABCafé1.099,20R$/saca▼ 2.50%Atacado · ES · Semana 12/10–16/10CONABBoi Gordo360,30R$/arroba▼ 1.19%Semana 12/10–16/10 · SPCONAB
Mercado

Açúcar volta a mirar as máximas com déficit global de até 2,9 milhões de toneladas no radar: a oferta virou?

Produção do Centro-Sul caiu 6% na segunda quinzena de setembro, a monção indiana foi a mais fraca em 11 anos e consultorias passaram a projetar falta de açúcar no mundo.

AFRedação AgroForte·19 de outubro de 2026· 4 min de leitura
Compartilhar
Açúcar volta a mirar as máximas com déficit global de até 2,9 milhões de toneladas no radar: a oferta virou?

Depois de meses de oferta folgada, o mercado de açúcar voltou a falar em falta. Na quinta-feira, 15 de outubro, o contrato de março/27 do açúcar bruto subiu 29 pontos na bolsa de Nova York e fechou a 21,13 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou US$ 6,20 e terminou a US$ 561,10 por tonelada. Na semana anterior, segundo o Notícias Agrícolas, os dois mercados haviam marcado as maiores cotações em 19 e 22 meses, respectivamente.

O movimento não é especulação solta. Ele se apoia em três frentes de oferta que pioraram ao mesmo tempo: a moagem no Centro-Sul do Brasil, a monção na Índia e as revisões das principais casas de análise do mercado.

Centro-Sul produz menos açúcar no fim da safra

Dados do Ministério da Agricultura, divulgados pela Reuters em 15 de outubro, mostram que o Centro-Sul produziu 2,86 milhões de toneladas de açúcar na segunda quinzena de setembro, 6% a menos que no mesmo período de 2025. A moagem de cana caiu 2,9%, para 38,64 milhões de toneladas, e a produção de etanol recuou 9,5%, para 1,98 bilhão de litros.

O ano já vinha difícil. Em junho, segundo a Unica, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3%, para 3,903 milhões de toneladas, com chuvas persistentes atrasando colheita e moagem. Para a safra 2026/27 inteira, o adido agrícola do USDA no Brasil projeta 42,2 milhões de toneladas, queda de 2,5%.

Índia tem a monção mais fraca em 11 anos

Do outro lado do mundo, o segundo maior produtor também preocupa. A chuva de monção na Índia, entre junho e setembro, ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o pior resultado em 11 anos. O USDA projeta a produção indiana em 29,5 milhões de toneladas, queda de 1,7%. Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro, um sinal de que o país não está confortável com o próprio abastecimento.

Do superávit ao déficit

As projeções de balanço global mudaram de sinal. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A StoneX elevou em agosto sua estimativa de déficit para 1,7 milhão de toneladas. A Covrig Analytics trocou a previsão de superávit de 100 mil toneladas por déficit de 300 mil. Olhando mais à frente, a Czarnikow calcula um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28.

Os números variam bastante de uma casa para outra, mas apontam para o mesmo lado: o mercado deixou de discutir sobra e passou a discutir quanto vai faltar.

Etanol disputa a cana

Para a usina brasileira, a alta do açúcar chega junto com um etanol mais firme. O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado em São Paulo subiu 2,87% na semana de 5 a 9 de outubro, para R$ 2,6374 por litro. Na B3, o contrato de etanol para novembro fechou a R$ 2.870 por metro cúbico em 15 de outubro, e o de janeiro/27 a R$ 3.025, com altas de 1,06% e 2,20%. Com os dois produtos valorizados, a decisão de mix da próxima safra fica mais disputada.

O câmbio também ajuda. O dólar fechou a quinta-feira a R$ 5,0885, alta de 1,17%, o que melhora a receita em reais de quem exporta.

O que observar

Para o fornecedor de cana e para a usina, os próximos relatórios quinzenais da Unica e a evolução da safra indiana devem dizer se a alta tem fôlego. Preço perto das máximas recentes costuma abrir janelas para fixação de parte da produção futura, mas a decisão depende do custo de cada operação e da estratégia comercial de cada grupo. Com as estimativas de déficit ainda tão diferentes entre si, a volatilidade deve continuar alta.

Receba no WhatsApp às 6h

Cotações do dia e principais manchetes do agronegócio.

Assinar grátis →
Compartilhar

Conteúdos Relacionados

Milho perde 10,58% em Chicago e até 6,98% na B3 em outubro: o dólar salvou o preço ou só adiou a queda?Mercado

Milho perde 10,58% em Chicago e até 6,98% na B3 em outubro: o dólar salvou o preço ou só adiou a queda?

O contrato dezembro/26 caiu de US$ 5,0075 para US$ 4,4775 por bushel em outubro. Na B3, o câmbio amorteceu as perdas, mas todos os vencimentos acompanhados terminaram o mês no vermelho.

Soja cai 2,92% em quatro pregões em Chicago mesmo com a China levando 63% das vendas dos EUA: por que a demanda não segura o preço?Mercado

Soja cai 2,92% em quatro pregões em Chicago mesmo com a China levando 63% das vendas dos EUA: por que a demanda não segura o preço?

A soja emendou a quarta queda seguida na bolsa de Chicago, apesar de vendas semanais de 2,58 milhões de toneladas pelos EUA, a maior parte para a China. No Brasil, o câmbio sustentou o preço em reais.

Juros futuros saltam mais de 300 pontos e o mercado troca corte por alta da Selic: o crédito do produtor vai encarecer de novo?Mercado

Juros futuros saltam mais de 300 pontos e o mercado troca corte por alta da Selic: o crédito do produtor vai encarecer de novo?

Os operadores abandonaram as apostas em novos cortes da Selic, hoje em 13,75%, e já veem chance majoritária de alta em dezembro. Para o produtor, o custo de CPRs, LCAs e crédito livre tende a subir quando a carteira rural com problemas já soma R$ 205,46 bilhões.

Café cai 6,50 centavos em Nova York, mas sobe até 6,25% no Sul de Minas: o dólar salvou o cafeicultor?Mercado

Café cai 6,50 centavos em Nova York, mas sobe até 6,25% no Sul de Minas: o dólar salvou o cafeicultor?

O arábica fechou a 300,95 centavos por libra-peso em Nova York em 26 de outubro, queda de 2,1%. No mesmo dia, o físico no Sul de Minas subiu perto de 6% em reais, puxado pelo dólar a R$ 5,403.

Dólar dispara até 12% após reeleição de Lula: quem ganha e quem perde no agro com o real a R$ 5,60?Mercado

Dólar dispara até 12% após reeleição de Lula: quem ganha e quem perde no agro com o real a R$ 5,60?

O câmbio aumenta a receita em reais da soja, do café e da carne, mas Chicago caiu nesta manhã. O custo da soja em Mato Grosso, já estimado pelo Imea em R$ 8.210,31/ha, tende a subir para quem ainda vai comprar insumos.

Banco do Brasil prevê passar de R$ 20 bilhões em dívidas rurais renegociadas até 12/11: o produtor ainda consegue entrar na MP 1.376?Mercado

Banco do Brasil prevê passar de R$ 20 bilhões em dívidas rurais renegociadas até 12/11: o produtor ainda consegue entrar na MP 1.376?

O Banco do Brasil já renegociou R$ 3,3 bilhões e tem outros R$ 12,6 bilhões em análise pela MP 1.376/2026, com expectativa de superar R$ 20 bilhões até 12 de novembro. Veja quem pode aderir, quais são as taxas e limites e o que precisa estar pronto antes do prazo.