Soja cai 2,92% em quatro pregões em Chicago mesmo com a China levando 63% das vendas dos EUA: por que a demanda não segura o preço?
Contrato de novembro fecha a US$ 12,1975 por bushel; no Brasil, o dólar a R$ 5,39 compensa a queda e leva Paranaguá a R$ 158,28 por saca

A China voltou às compras nos Estados Unidos, e mesmo assim a soja não sobe. Na quinta-feira (29), o contrato de novembro fechou a US$ 12,1975 por bushel na bolsa de Chicago (CBOT), queda de 0,39%, ou 4,75 centavos. Foi a quarta sessão seguida de baixa. Desde a sexta-feira anterior (23), quando terminou a US$ 12,5650, o vencimento acumula desvalorização de 2,92%, segundo levantamento do Notícias Agrícolas.
Os demais vencimentos acompanharam: janeiro/27 encerrou a US$ 12,3475 (-3,25 centavos), março/27 a US$ 12,4350 (-2,50) e maio/27 a US$ 12,5275 (-1,75). Pela manhã, a pressão foi maior: por volta das 11h41 (horário de Brasília), o novembro chegou a ser negociado a US$ 12,16.
A demanda apareceu, mas a oferta pesa mais
O dado que deveria animar o mercado veio do próprio Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). As vendas líquidas de soja da safra 2026/27 somaram 2.576.400 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O volume foi 9% menor que o da semana anterior, mas ficou dentro do esperado pelos analistas. A China respondeu por 1.627.000 toneladas, cerca de 63% do total. Os embarques chegaram a 2.384.100 toneladas, alta de 18% sobre a semana anterior e de 72% sobre a média das quatro semanas.
Por que, então, o preço cai? Porque a colheita americana avança e coloca soja nova no mercado. Até 25 de outubro, 79% da área de soja dos EUA estava colhida, segundo o relatório semanal de progresso de safra do USDA. Com a oferta chegando aos armazéns, as compras chinesas servem mais para evitar quedas maiores do que para puxar as cotações.
Os derivados também pesaram. O farelo de soja para dezembro caiu 1,91% em Chicago, para US$ 329,30 por tonelada curta, enquanto o óleo ficou praticamente estável.
No Brasil, o câmbio faz o trabalho
Para o produtor brasileiro, a história foi outra. O dólar à vista subiu 0,76% na quinta-feira, para R$ 5,3875, segundo a Reuters, puxado pelo exterior e por dúvidas sobre o novo mandato do presidente Lula. Com mais reais por dólar, a queda em Chicago foi compensada.
O Indicador da Soja Cepea/Esalq em Paranaguá subiu 0,55%, para R$ 158,28 por saca, e o indicador do Paraná avançou 0,38%, para R$ 152,47. Em Mato Grosso, o Imea registrou R$ 138,35 por saca em Campo Verde e R$ 135,80 em Diamantino, ambos em leve alta. O prêmio de exportação em Paranaguá para novembro ficou estável em US$ 1,40 por bushel sobre Chicago.
A safra brasileira entra no radar
O comprador internacional também olha para o calendário brasileiro. Até 16 de outubro, o plantio da soja 2026/27 chegava a 30,1% da área nos 12 principais estados, acima dos 21,4% do mesmo período de 2025 e da média de cinco anos, de 26,4%, segundo a Conab. Em Mato Grosso, o Imea apontava 51,86% da área semeada na mesma data. Na Argentina, a consultoria World Weather Inc. relatou boa umidade no solo para o início do plantio.
Quanto mais a América do Sul avança sem problemas climáticos, maior a expectativa de oferta global no primeiro semestre de 2027, e menor a urgência do importador em pagar mais caro hoje.
O que observar antes de vender
Para quem ainda tem soja da safra passada ou quer travar parte da próxima, o momento pede atenção a três variáveis. A primeira é o câmbio: o dólar acima de R$ 5,30 tem sustentado o preço interno, mas é sensível ao noticiário fiscal e à reunião do Copom de 3 e 4 de novembro. A segunda é o ritmo das compras chinesas nos EUA, que o USDA divulga toda quinta-feira. A terceira é o clima no Brasil, onde a chuva ajuda o Centro-Oeste e ainda atrasa o Sul.
Vender em lotes, em vez de concentrar a comercialização em um único dia, segue como a estratégia mais prudente enquanto Chicago procura um piso.






