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Dólar dispara até 12% após reeleição de Lula: quem ganha e quem perde no agro com o real a R$ 5,60?

A moeda americana abriu a R$ 5,42 e chegou a R$ 5,60 no primeiro pregão após o segundo turno. O exportador recebe mais reais por dólar, enquanto insumos importados e dívidas dolarizadas ficam mais caros, justamente com o plantio em andamento.

AFRedação AgroForte·26 de outubro de 2026· 4 min de leitura
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Dólar dispara até 12% após reeleição de Lula: quem ganha e quem perde no agro com o real a R$ 5,60?

O primeiro pregão depois do segundo turno chegou ao campo pela taxa de câmbio. Na manhã desta segunda-feira (26), o dólar à vista abriu a R$ 5,4247, alta de 8,64% sobre o fechamento de sexta-feira (R$ 4,9931), e chegou à máxima de R$ 5,6047, avanço de 12,25%, de acordo com o Money Times. O movimento veio na esteira da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), conforme a apuração da Justiça Eleitoral.

Às 9h36, a moeda americana era negociada a R$ 5,523, em alta de 10,69%, segundo o portal Melhor Investimento. Diante da volatilidade, a B3 dobrou de 6% para 12% o limite de oscilação do dólar futuro, apenas para o pregão do dia, segundo o Money Times, e o Tesouro suspendeu seus leilões.

Até o fechamento desta apuração, por volta das 10h30, não havia registro de intervenção extraordinária do Banco Central. Analistas da Ágora Investimentos, citados pelo Money Times, viam possibilidade de atuação e avaliam que a duração do estresse dependerá da equipe econômica e dos primeiros sinais fiscais.

Exportador ganha no papel, mas Chicago devolve parte

Na teoria, o real mais fraco aumenta a receita em reais de quem vende soja, milho, café, algodão ou carne cotados em dólar. Na prática, o ganho depende de quanto da produção ainda está sem preço, do comportamento das bolsas internacionais e dos prêmios nos portos. Nesta manhã, a Bolsa de Chicago (CME) não ajudou: às 9h29, o contrato de soja para novembro recuava 20,5 centavos de dólar por bushel, para US$ 12,36, depois de fechar a sexta-feira a US$ 12,565, de acordo com as cotações publicadas pelo Notícias Agrícolas. A baixa é de cerca de 1,6%, e na B3 a soja de novembro caía 1,62%.

No físico, a referência mais recente é a de sexta: o Indicador Cepea/Esalq Paranaguá fechou em R$ 152,41 por saca, e Sorriso (MT) marcava R$ 133,40, segundo o Imea. Como o câmbio subiu muito mais do que Chicago caiu, a paridade de exportação em reais tende a melhorar, mas o repasse ao produtor só ficará claro quando as tradings voltarem a fixar preços.

Do outro lado, insumos e dívidas em dólar pesam mais

O câmbio encarece fertilizantes, defensivos, máquinas e componentes importados que ainda não foram pagos ou protegidos com hedge. Esse impacto chega em um ciclo de custos já em alta. O levantamento de outubro do Imea com o Senar-MT estima o custo total da soja 2026/27 em Mato Grosso em R$ 8.210,31 por hectare, 6,96% acima da safra anterior. Os defensivos subiram 10,10%, as operações mecanizadas aumentaram 23,85% e as sementes ficaram 21,96% mais baratas.

Pelas contas da reportagem, com a produtividade de 64,82 sacas por hectare projetada pelo Imea, esse custo total equivale a cerca de R$ 126,66 por saca. A margem sobre o preço de Sorriso é estreita e pode ser comprimida se o produtor ainda precisar comprar insumos dolarizados. Grande parte das compras para a safra de verão já foi feita, já que o plantio em Mato Grosso chegou a 75,81% da área até sexta-feira, segundo o Imea. Por isso, o risco maior recai sobre as aquisições da safrinha de milho e do ciclo 2027/28 e sobre quem tem financiamento atrelado à moeda americana.

O que o setor cobra do novo mandato

O programa de governo apresentado por Lula promete ampliar os recursos do Plano Safra com juros compatíveis com a rentabilidade da atividade, fortalecer o seguro rural, acelerar a produção nacional de fertilizantes e manter a política de abertura de mercados, segundo levantamento do Notícias Agrícolas. As cadeias produtivas cobram crédito mais barato, gestão de risco, armazenagem e logística, segurança jurídica e previsibilidade para insumos. O mercado acrescentou a clareza fiscal: Chris Turner, do ING, citado pelo Money Times, apontou as contas públicas como o ponto mais frágil do país. Com o PL dono das maiores bancadas na Câmara e no Senado, segundo a Bloomberg Línea, o governo deverá negociar cada votação. Os primeiros testes serão o Orçamento de 2027 e o Plano Safra 2027/28.

O que observar agora

Para quem ainda tem soja da safra 2025/26 ou parte da 2026/27 sem preço, o dia pede cautela. A abertura reflete um mercado de pouca liquidez, e vale acompanhar o fechamento do dólar, uma eventual ação do Banco Central, a equipe econômica e Chicago antes de decidir. Se a alta se mantiver, travar em reais parte da produção pode garantir margem. Quem tem compras de insumos ou parcelas de dívida em dólar pela frente deve conferir os contratos e avaliar mecanismos de proteção cambial com a revenda, a trading ou o banco antes da próxima compra.

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